20 outubro 2006

Fui atropelada!

Por um carro e um monte de contraditórios sentimentos... Por um seco na garganta e um monte de perguntas sem respostas... Por uma vontade de saber o bendito porquê de tantas coisas que não se me querem responder. Fui ficando confusa, descrente, perdida (ainda que na portaria da FEA), querendo não ser o foco das atenções e sendo. Mandei o atropelador embora, disse pro segurança que estava bem, mas ele não acreditou porque eu não sei mentir direito. Achei que não ia rolar explicar que a dor maior não era no joelho nem na perna nem no pé que ele viu dobrado embaixo da bicicleta. Agradeci e fui embora, quase o deixando falar sozinho...
Fui andando mancamente e pensando, em suma, no por quê de ter ido até ali se minha casa é pro outro lado. Pensando que Rafa devia estar me esperando pra dormir e, segundo me relataram depois, de fato estava, mas foi vencido pelo cansaço. Fui pensando no valor que as coisas e as pessoas têm e acabei desesperada com a conclusão de que as pessoas têm o valor que se deixam dar, mais do que aquele que se dão (e que seria o máximo do senso comum da auto-ajuda). Aí passei de cansada e envergonhada e perdida a puta da vida comigo mesma! Imbecil total! Tentei acreditar que amizades fazem tudo valer a pena, mas descobri que eu não sei direito o que é amizade. Esse papo de que a porra toda é baseada em sinceridade, troca, compreensão... bullshit!!! Eu canso de ser compreensiva e sincera e tento ajudar, mas parece que tô sempre atrasada (eu devia saber que, apesar de mais velozes que as pernas, as bicicletas não são tão rápidas assim...)
Enfim, tô toda revirada, cheia de feridas cotucadas, doída por dentro, com um ralado no pé e um roxo no joelho, pois fui, hoje, atropelada.