29 maio 2008

gelatina ou pavê de sonho de valsa?

"Gelatina? Pavê de sonho de valsa, claaaaro!"

Eu começo a achar que não é nada disso. Porque querer gelatina parece sem graça, mas tá ali, na geladeira, acessível. E pra conseguir o pavê? Não é em qualquer mercado, padaria ou mesmo doceria que se acha um pavê de sonho de valsa decente! É um custo achar um bom! Tem que estar com a cara boa, tem que ter sido feito no dia, ninguém quer bombom murcho no pavê, porque pavê é chique em si, tem que ser exigente, tem que estar de acordo.

Não dá pra negar que, uma vez achando o pavê ideal, o prazer que se tem com ele é incomparável ao prazer simples da gelatina. Mas também não dá pra não sentir-se empapuçado com o pavê. O troço é doce demais, enjoa, depois de um pedaço e meio a gente quer mais é passar o semestre sem nem olhar prum pavê do tipo. O que não acontece de forma nenhuma com a gelatina. Uma gelatina toda manhã é um prazerzinho diário valorável (talvez eu tenha inventado esta palavra), dispensável, sim, meio sem atrativos, aos poucos pode perder um pouco da graça.

A verdade é que, com ou sem graça, é a gelatina que tá ali, na geladeira, acessível. O pavê, humpf, o pavê é um puto que se acha muito gostoso porque faz a gente rodar os supermercados, padarias e docerias atrás dele. Quando a gente acaba de comer, por mais gostoso que tenha sido, já vê logo que não vale tanto assim a via crucis. E é por isso que eu digo, let's keep it simple, you know? Bora comer uma gelatina?